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Prof.ª Mestra em Literatura Brasileira pela UNIMONTES Juliana Barreto Blog com dicas de Português, voltadas para concursos, vestibulares e Enem. E divulgação do meu trabalho com correção gramatical de textos: correção de TCC, artigos, monografias, dissertações e teses. e ainda correção de redações de pré-vestibulandos e concurseiros. metodoeuteaprovo@gmail.com *Graduanda em Direito/FacFunam, Pirapora-MG julianajuristamg@gmail.com
PLANTÃO DO VESTIBULANDO
Uma maneira simples de aprender a como chegar lá...
Literatura: Analisando as Figuras de Linguagem
Olá, pessoal! Vamos aprender um pouco mais sobre a Literatura? Figuras de linguagem ou figuras de estilo são estratégias literárias que o escritor aplica no texto para conseguir um efeito determinado na interpretação do leitor. São formas de expressão mais localizadas e podem relacionar-se com aspectos semânticos, fonológicos ou sintáticos. Os estudiosos costumam dividi-las em 2 ou 3 grupos a fim de facilitar os estudos. Vamos lá?
Figuras de palavras e figuras de pensamento:
Antítese é uma figura de linguagem que consiste na exposição de ideias opostas. Esse recurso foi especialmente utilizado pelos autores do período Barroco. Várias antíteses podem ser feitas através de Amor e Ódio, Sol e Chuva, Paraíso e Inferno, Deus e Diabo. Outro exemplo: "Já estou cheio de me sentir vazio." (Renato Russo).
Antonomásia é uma figura de linguagem caracterizada pela substituição por um nome de uma expressão que lembre uma qualidade, característica ou fato que de alguma forma identifique-o. É uma variante da metonímia, ou seja, uma substituição de um nome por outro que com ele tenha afinidades semânticas. Esta substituição resulta comumente do patrimônio pessoal ou da profissão do indivíduo de modo que uma substituição seja compreendida e provoque o efeito desejado. Exemplos: O Filho de Deus (Jesus Cristo); O Rei da guitarra (Jimi Hendrix); A rainha do pop (Madonna); O Rei do Rock (Elvis Presley).
Apóstrofe é uma figura de estilo caracterizada pela evocação de determinadas entidades, consoante o objetivo do discurso, que pode ser poético, sagrado ou profano. Caracteriza-se pelo chamamento do receptor, imaginário ou não, da mensagem. Em síntese, é a colocação de um vocativo numa oração. Ex.: "Ó Leonor, não vás!"
Catacrese é a figura de linguagem que consiste na utilização de uma palavra ou expressão que não descreve com exatidão o que se quer expressar, mas é adotada por não haver uma outra palavra apropriada - ou a palavra apropriada não ser de uso comum; são como gírias do dia-a-dia, expressões usadas para facilitar a comunicação. Exemplos comuns são: "os pés da mesa", "marmelada de laranja", "vinagre de maçã", "embarcar no avião", "cabeça do alfinete", "braço de rio", "dente de alho" etc..
Comparação simples é a aproximação de dois termos entre os quais existe alguma relação de semelhança, como na metáfora. A comparação, porém, é feita por meio de um conectivo (como, parecia, assim como, tal qual, etc). Exemplo: "O mar canta como um canário". A cidade, adormecida, parecia um cemitério sem fim.
Eufemismo é uma figura de estilo que emprega termos mais agradáveis para suavizar uma expressão. Exemplos: Você faltou com a verdade. (Em lugar de mentiu); Ele entregou a alma a Deus. (Em lugar de: Ele morreu).
Disfemismo (ou cacofemismo) é uma figura de estilo que consiste em empregar termos ou expressões depreciativas, sarcásticas ou chulas para fazer referência a um determinado tema, coisa ou pessoa, opondo-se, assim, ao eufemismo. Um exemplo de disfemismo é: Morrer: "comer capim pela raiz", "vestir o paletó de madeira", "ir para a terra dos pés-juntos", "bater as botas" etc.
Na próxima tem mais... Até lá.
JULIANA BARRETO – PROFª DE LÍNGUA PORTUGUESA – Matéria publicada pelo Jornal A Semana, de Pirapora/MG, em 13/11/2009.
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Gêneros Textuais
Olá, pessoal! Uma das habilidades relacionadas à leitura refere-se ao conhecimento do gênero textual ou gênero discursivo. Mas, afinal, o que são os gêneros textuais? Será que podemos dizer que é a mesma coisa que tipologia textual??? A resposta é Não.
Os tipos textuais, vistos na edição anterior, são em menor número. Cada tipo textual, portanto, guardará dentro de si diversos gêneros textuais, estes em grande número.
Gênero textual refere-se às diferentes formas de expressão textual. É importante desenvolvermos a consciência de como a linguagem se articula na ação humana sobre o mundo, constituindo-se assim em gênero textual. A formação de um leitor crítico envolve o conhecimento das relações sociais, formas de conhecimento veiculadas por meio de textos em diferentes situações de interação, a interação escritor-texto-leitor, a pluralidade de discursos e as possibilidades de organização do universo. Podemos falar em gêneros variados que vão do cartão-postal e do telegrama ao texto científico e conto, fábula, anedota, poema, cartaz, crônica, e-mail, receita, manual, ofício, charge, etc. São textos que circulam no mundo, que têm uma função específica, para um público específico e com características próprias. Aliás, essas características peculiares de um gênero discursivo nos permitem abordar aspectos da textualidade, tais como coerência e coesão textuais, impessoalidade, técnicas de argumentação e outros aspectos pertinentes ao gênero em questão.
Seguem abaixo alguns tipos textuais e alguns exemplos de seus respectivos gêneros textuais:
Narração: Conto Maravilhoso, Conto de Fadas, fábula, lenda, narrativa de aventura, narrativa de ficção científica, narrativa de enigma, narrativa mítica, biografia romanceada, romance, romance histórico, novela fantástica, conto, crônica literária, adivinha, piada, etc.
Texto de relato: Relato de experiência vivida, relato de viagem, diário íntimo, testemunho, anedota ou caso, autobiografia, curriculum vitae, notícia, reportagem, crônica social, crônica esportiva, histórico, relato histórico, ensaio ou perfil biográfico, biografia...
Argumentação (Dissertação): Textos de opinião, diálogo argumentativo, carta de leitor, carta de solicitação, debate, assembleia, discurso de defesa (advocacia), discurso de acusação (advocacia), resenha crítica, artigos de opinião ou assinados, editorial, ensaio, etc.
Exposição: Texto expositivo, exposição oral, seminário, conferência, comunicação oral, palestra, entrevista de especialista, verbete, artigo enciclopédico, texto explicativo, resumo de textos expositivos e explicativos, resenha, relatório científico, relatório oral de experiência, etc.
Descrição: Instruções de montagem, receita, regulamento, regras de jogo, instruções de uso, comandos diversos, textos prescritivos e por aí vai.
Como vocês puderam perceber, os gêneros são muitos!!! Cabe agora a vocês estudar um pouco mais sobre isso. Vamos pesquisar? Até a próxima...
Retificação: Na matéria de 23/10/2009, com o nome de A Crônica, foi usado o termo “tipo textual” apenas com fim didático. A nomenclatura adequada é gênero textual crônica. É isso aí, pessoal!
JULIANA BARRETO – PROFª DE LÍNGUA PORTUGUESA – Matéria publicada pelo Jornal A Semana, de Pirapora/MG, em 06/11/2009.
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Tipologias Textuais:
Olá, pessoal! Na semana anterior, vimos um pouco sobre a crônica. Nesta edição, aprenderemos, de uma forma mais generalizada, quais são as tipologias textuais básicas, a fim de poder identificá-las nas provas. Vamos lá?
Tipologia textual é a forma como um texto se apresenta. As tipologias existentes são basicamente: descrição, narração, dissertação, exposição, injunção, diálogo e entrevista.
Descrição: É um texto em que se faz um retrato por escrito de um lugar, uma pessoa, um animal ou um objeto. A classe de palavras mais utilizada nessa produção é o adjetivo, pela sua função caracterizadora. Numa abordagem mais abstrata, pode-se até descrever sensações ou sentimentos. Não há relação de anterioridade e posterioridade.
Narração: Modalidade textual em que se conta um fato, fictício ou não, que ocorreu num determinado tempo e lugar (há uma relação de anterioridade e posterioridade), envolvendo certos personagens. O tempo verbal predominante é o passado.
Dissertação ou Argumentação: Posicionamentos pessoais de ideias defendendo um certo ponto de vista. A característica básica da dissertação é o cunho reflexivo-teórico. Dissertar é debater, discutir, questionar, expressar ponto de vista, qualquer que seja. É polemizar, inclusive, com opiniões e com argumentos contrários aos nossos. É estabelecer relações de causa e consequência, é dar exemplos, é tirar conclusões, etc. Possui uma estrutura básica: 1) apresentação da tese (assunto); 2) argumentos (antítese); 3) conclusão (síntese). Utiliza verbos na 1ª e 3ª pessoas do presente do indicativo. É a modalidade mais exigida nos concursos em geral.
Exposição: Apresenta informações sobre assuntos, expõe ideias; explica, avalia, reflete. Estrutura básica: 1) ideia principal; 2) desenvolvimento; 3) conclusão.
Injunção: Indica como realizar uma ação. É também utilizado para predizer acontecimentos e comportamentos. Utiliza linguagem geralmente objetiva. Os verbos são, na sua maioria, empregados no modo imperativo (Faça, Procure, Veja, Entenda, Olhe, etc).
Diálogo: É uma conversação estabelecida entre duas ou mais pessoas, podendo conter marcas da linguagem oral, como pausas e retomadas.
Entrevista: é uma conversação entre duas ou mais pessoas na qual perguntas são feitas pelo entrevistador para obter informação do entrevistado.
Como vocês puderam perceber, meu foco aqui foi a chamada Dissertação, a qual tem sido cobrada nos processos seletivos de todo o Brasil. Mas, algumas dicas servem para a escrita de qualquer tipo textual: 1) Escrever de forma legível e correta; 2) Ter clareza nas palavras, evitando vocabulários não conhecidos; 3) Manter uma coesão entre as frases e uma coerência entre as ideias; 4) Escrever objetivamente, descartando o que for desnecessário; e 5) Jamais esquecer que o texto possui o objetivo de ser lido , assim, o sucesso do seu texto dependerá do esforço em satisfazer as necessidades do leitor.
É isso aí. Até a próxima!!!
JULIANA BARRETO – PROFª DE LÍNGUA PORTUGUESA – Matéria publicada pelo Jornal A Semana, de Pirapora/MG, em 30/10/2009.
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A Crônica
Olá, pessoal! Vamos aprender um pouco sobre o tipo textual chamado crônica? Crônica é um gênero literário produzido essencialmente para ser veiculado na imprensa. Além disso, o cronista se inspira nos acontecimentos diários e lhes dá um toque próprio, incluindo em seu texto elementos como ficção, fantasia e criticismo. Vejamos a crônica abaixo: Conversinha Mineira* - Fernando Sabino
- É bom mesmo o cafezinho daqui, meu amigo?
- Sei dizer não senhor: não tomo café.
- Você é dono do café, não sabe dizer?
- Ninguém tem reclamado dele não senhor.
- Então me dá café com leite, pão e manteiga.
- Café com leite só se for sem leite.
- Não tem leite?
- Hoje, não senhor.
- Por que hoje não?
- Porque hoje o leiteiro não veio.
- Quando é que ele vem?
- Tem dia certo não senhor. Às vezes vem, às vezes não vem.
- Mas ali fora está escrito "Leiteria"!
- Ah, isso está, sim senhor.
- Quando é que tem leite?
- Quando o leiteiro vem.
- Está bem, você ganhou. Me traz um café com leite sem leite. Escuta uma coisa: como é que vai indo a política aqui na sua cidade?
- Sei dizer não senhor: eu não sou daqui.
- E há quanto tempo o senhor mora aqui?
- Vai para uns quinze anos.
- Já dava para saber como vai indo a situação, não acha?
- Ah, o senhor fala da situação? Dizem que vai bem.
- E o Prefeito? Que tal o Prefeito daqui?
- O Prefeito? É tal e qual eles falam dele.
- Que é que falam dele?
- Dele? Uai, esse trem todo que falam de tudo quanto é Prefeito.
- Você, certamente, já tem candidato.
- Quem, eu? Estou esperando as plataformas.
- Mas tem ali o retrato de um candidato dependurado na parede, que história é essa?
- Aonde, ali? Uê, gente: penduraram isso aí...
*Crônica extraída do livro A Mulher do Vizinho, de 1962. (Adaptado)
Vejam que, além do tom humorístico e da presença do linguajar mineiro, o cronista acrescentou um tom crítico e chama a atenção do leitor para a alienação das pessoas, principalmente quanto à política e à situação de sua sociedade. O autor trabalha com o microcosmo da leiteria, relacionando-o ao macrocosmo da cidade e quer evidenciar que o personagem, não sabendo o que se passa em seu próprio estabelecimento comercial, muito menos consegue absorver o que se passa na política da cidade. Ambos os ambientes não são percebidos por ele, daí a sua alienação. É isso aí, pessoal. Até a próxima!
JULIANA BARRETO – PROFª DE LÍNGUA PORTUGUESA – Matéria publicada pelo Jornal A Semana, de Pirapora/MG, em out/2009.